Há algum tempo tenho sido questionado de se como ator eu já tinha feito um book ou videobook. Como não tenho nem nunca tive um, eu me perguntava se era limitado e se era de fato um ator (sou?). É claro que meus estudos me levaram avante, pronto para entender a sociedade de consumo e seus privilégios comerciais, os processos de padronização, a distribuição mercadológia, o salão de entretenimento de que quem não está apto à participar é considerado descartável. Os atores de hoje se parecem com um jogo de xícaras temáticas vendidas pela revista Caras. Cresço tentando me opor à ser um produto ou fazer parte de um mercado. Acho importante vestir a camisa do Eu tenho algo para dizer e não algo para vender. Esse material auto-promocional, book e videobook (não sei porque lembrei do facebook) foi importado das passarelas, da rotina profissional dos modelos, justamente quando os atores era os próprios modelos ou quando tinham um trabalho de expressão semelhante aos usados nos desfiles.
Os produtores de elenco me perguntam se tenho foto e vídeo. Não perceberam que pagar um segurança é mais barato que pagar um ator pra fazer o papel de segurança. Do Japão ao Brasil os melhores projetos são feitos para os terrenos onde é mais difícil construir. Pois bem, aí está toda a agonia de não se pertencer. Não consigo acreditar na falta de originalidade desse registro, na superficialidade dos testes de elenco e na falsidade dos atores. A volúpia do inútil. Por isso faz-se necessário criar acreditando na transcendência das regras.
Talvez agora com esse videobook eu possa frequentar o circuito dos atores. Acho melhor não. Não me levo muito à sério pra isso.